Em muitas empresas, a palavra “feedback” ainda é sinônimo de chefia falando e equipe ouvindo. Quando o assunto são jovens aprendizes, estagiários e jovens PCD, isso fica ainda mais evidente: espera-se que eles recebam orientações, correções e conselhos, mas raramente se pergunta o que estão vendo, sentindo e pensando sobre a experiência que vivem dentro da organização.
No entanto, poucos olhares são tão ricos quanto os de quem está começando. Justamente por ainda não estarem acostumados com a rotina da empresa, esses jovens percebem detalhes que, muitas vezes, passaram despercebidos por quem já está ali há anos: formulários confusos, processos pouco claros, falhas de comunicação, barreiras de acessibilidade ou oportunidades de melhoria no acolhimento. Quando a empresa se dispõe a ouvir, descobre que a presença desses jovens não representa apenas uma oportunidade de aprendizagem para eles, mas também uma valiosa fonte de aperfeiçoamento para a própria organização.
É nesse processo que o Instituto Formar atua como parceiro das empresas. Em contato diário com adolescentes e jovens aprendizes, estagiários e pessoas com deficiência que participam de seus programas, a instituição acompanha de perto suas experiências, desafios e percepções. Nas salas de aula e nos atendimentos individualizados, surgem relatos que ajudam a compreender o que favorece o desenvolvimento desses jovens e quais aspectos ainda podem ser aprimorados no ambiente de trabalho.
Por ocupar esse espaço de confiança, o Instituto Formar também contribui para transformar essas percepções em oportunidades de melhoria. A instituição pode mediar rodas de conversa entre empresas e jovens, apoiar a construção de pesquisas e questionários de escuta, orientar lideranças sobre como acolher críticas de forma construtiva e compartilhar boas práticas adotadas por organizações parceiras. Assim, o feedback deixa de ser um desabafo isolado e passa a orientar decisões que fortalecem os programas de aprendizagem, estágio e inclusão.
O Instituto Formar apoia empresas na criação de espaços permanentes de escuta de aprendizes, estagiários e jovens PCD, transformando a participação desses profissionais em uma importante ferramenta de desenvolvimento organizacional. Afinal, o Instituto acredita que não existe educação sem escuta e que empresas que valorizam a voz de seus jovens constroem ambientes de trabalho mais participativos, inclusivos, inovadores e preparados para o futuro.
Por que vale a pena ouvir o que os jovens têm a dizer?
Aprendizes, estagiários e jovens PCD costumam transitar por diferentes áreas, fazer tarefas variadas, conviver com pessoas de vários níveis hierárquicos. Isso dá a eles uma visão bastante ampla do dia a dia, mesmo em pouco tempo de casa. Além disso, por estarem em formação, tendem a fazer perguntas que adultos mais experientes já deixaram de fazer: “Por que fazemos assim e não de outro jeito?”, “Quem usa essa informação?”, “Esse formulário precisa mesmo ter tudo isso?”.
Ignorar essas perguntas é perder a chance de repensar práticas. Escutá-las, ao contrário, pode apontar caminhos de simplificação, humanização e inclusão. Quando um jovem PCD diz que não consegue ler um comunicado porque a letra é pequena, ele não está apenas falando de uma dificuldade individual; está sinalizando que a empresa pode estar falhando com outras pessoas também. Quando uma aprendiz comenta que não entendeu o processo de seleção e quase desistiu, está mostrando que talvez a forma de comunicar esteja criando barreiras desnecessárias.
Há ainda um aspecto simbólico importante: quando a empresa demonstra interesse em ouvir, comunica que valoriza cada pessoa, independentemente do cargo ou do tempo de casa. Isso fortalece o senso de pertencimento e responsabilidade. Um jovem que sente que sua opinião importa tende a se engajar mais, observar com mais cuidado e contribuir com mais vontade.
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Medos e barreiras na hora de falar
Se ouvir jovens é tão rico, por que isso ainda acontece tão pouco? Em parte porque há barreiras dos dois lados.
Do lado dos jovens, é comum o medo de represálias. Muitos pensam: “Se eu falar que algo não está funcionando, vão achar que sou ingrato”, “Vão dizer que estou reclamando demais”, “Posso ser visto como problema e não renovar o contrato”. Essa insegurança se intensifica no caso de jovens PCD, que muitas vezes já lutaram muito para conquistar aquela vaga e temem perdê-la por “causar”.
Do lado da empresa, às vezes existe receio do que vai aparecer. Escutar significa estar disposto a reconhecer falhas, incoerências e práticas que precisam ser revistas. É mais confortável acreditar que “está tudo bem” ou que “jovem é assim mesmo” do que abrir espaço para críticas.
Superar essas barreiras exige construir um ambiente minimamente seguro, em que fique claro, na prática, que falar não traz punição, e que o que é dito será levado a sério. Não basta abrir uma caixa de sugestões se, na hora em que alguém toca em um ponto delicado, a resposta for ironia ou justificativa apressada.
Caminhos para abrir canais de escuta
Cada empresa pode encontrar o formato que melhor se ajusta à sua realidade, mas alguns caminhos se mostram eficazes.
Um deles é incluir perguntas sobre a experiência dos jovens em momentos que já existem, como reuniões de fechamento de período ou conversas de acompanhamento. Em vez de falar apenas sobre desempenho, é possível perguntar: “Como tem sido para você trabalhar aqui?”, “O que ajuda no seu dia a dia?”, “Tem algo que deixa sua rotina mais difícil do que precisaria ser?”. Essa escuta pode ser feita individualmente, com o gestor, ou em pequenos grupos mediadas pelo RH ou pelo Instituto Formar.
Outra possibilidade é criar espaços específicos, como rodas de conversa com aprendizes e estagiários, em que o foco seja justamente compreender como eles percebem a empresa. Nessas rodas, é importante combinar regras claras de respeito, garantir que ninguém será exposto diante de toda a organização e, se necessário, permitir que falas sejam registradas sem identificação.
Ferramentas mais estruturadas, como pesquisas simples de clima adaptadas para jovens, também ajudam. Não precisam ser longos questionários: meia dúzia de perguntas bem pensadas, feitas de tempos em tempos, já oferecem um panorama interessante. O essencial é que as perguntas sejam compreensíveis para adolescentes e jovens, evitando jargões e termos muito técnicos.
E depois que o jovem fala, o que a empresa faz?
Escutar sem agir termina em frustração. Se os jovens percebem que abrem o coração, apontam dificuldades, trazem ideias, e nada muda, a tendência é desistirem de falar. Por isso, tão importante quanto coletar feedback é dar retorno sobre ele.
Isso não quer dizer que a empresa vá conseguir atender todas as demandas. Algumas serão inviáveis naquele momento; outras exigirão tempo e recursos. O que faz diferença é a transparência. Quando um grupo de jovens, por exemplo, aponta que o refeitório é pequeno demais, a empresa pode não conseguir ampliá-lo imediatamente. Mas pode, ao menos, reconhecer o problema, explicar as limitações e pensar em pequenas melhorias possíveis, como reorganizar horários ou rever a disposição das mesas.
Da mesma forma, se surgem críticas a um processo seletivo confuso, pode-se revisar os textos das vagas, simplificar formulários, explicar melhor as etapas. E, depois, comunicar: “A partir do que vocês trouxeram, fizemos tais mudanças”. Esse retorno fecha o ciclo e mostra que a fala teve efeito.
O papel das lideranças nessa cultura de escuta
A forma como as lideranças reagem ao feedback dos jovens é decisiva. Se gestores recebem qualquer crítica como ataque pessoal, a mensagem para a equipe é: “Melhor não falar nada”. Se, ao contrário, conseguem ouvir com interesse, fazer perguntas, reconhecer quando algo não está bom, criam um clima em que a sinceridade é bem-vinda.
Isso não significa aceitar tudo sem questionar, nem concordar sempre, mas se colocar na posição de quem também está aprendendo. Uma frase simples como “Eu não tinha pensado por esse lado, obrigado por trazer” abre uma porta enorme. Já um “Na sua idade eu não reclamava” a fecha imediatamente.
No caso de jovens PCD, é importante que as lideranças se mostrem especialmente atentas. Muitos trazem sugestões relacionadas à acessibilidade, à forma de comunicar, à organização do espaço. Quando um jovem com deficiência aponta uma barreira, não está “complicando as coisas”; está ajudando a empresa a enxergar o que muita gente não vê.
Como o Instituto Formar pode apoiar essa escuta
O Instituto Formar está em contato diário com adolescentes e jovens, incluindo muitos aprendizes, estagiários e PCDs que atuam em empresas parceiras. Nas conversas em sala e nos atendimentos individualizados, surgem percepções valiosas sobre o que funciona bem e o que é difícil no ambiente de trabalho.
Por estar nesse lugar de confiança, o Instituto pode atuar como mediador da escuta, ajudando a organizar informações, proteger jovens de exposições desnecessárias e traduzir para as empresas o que tem aparecido. Pode, por exemplo, conduzir rodas de conversa conjuntas, ajudar a construir questionários simples, apoiar lideranças na hora de receber críticas e compartilhar boas práticas de empresas que estão conseguindo avançar.
Essa parceria permite que o feedback dos jovens não se perca em desabafos isolados, mas se transforme em insumo para aperfeiçoar programas de aprendizagem e práticas internas.
Quando os jovens são ouvidos, todos aprendem
Escutar aprendizes, estagiários e jovens PCD não é apenas “fazer agrado” para quem está começando. É reconhecer que esses olhares frescos enxergam coisas que, se forem levadas a sério, tornam a empresa mais justa, eficiente e humana.
Quando uma organização cria canais de escuta reais e devolve respostas honestas, transforma o feedback em via de mão dupla: jovens aprendem com a experiência das lideranças, e lideranças aprendem com a experiência dos jovens. Quem ganha é o clima interno, a qualidade dos processos e, sobretudo, a potência dos programas de aprendizagem e estágio.
O Instituto Formar acredita que não existe educação sem escuta. E que empresas que se abrem para ouvir suas juventudes dão um passo importante rumo a um mundo do trabalho mais participativo, inclusivo e preparado para o futuro.
Quer apoio para estruturar a escuta de jovens na sua empresa?
O Instituto Formar apoia empresas na criação de espaços e processos de escuta de aprendizes, estagiários e jovens PCD, transformando a participação deles em fonte de melhoria contínua.
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