Quando uma empresa abre uma vaga para jovem aprendiz ou estágio, o primeiro contato do jovem com aquela organização quase sempre é por escrito: anúncio no site, post nas redes sociais, formulário de inscrição.
É nesse momento que muita gente desiste. Não porque a vaga seja ruim, mas porque o texto é confuso, distante ou cheio de termos que não fazem parte do dia a dia de adolescentes e jovens.
Da mesma forma, depois da contratação, comunicados internos difíceis, cheios de siglas e frases longas podem afastar justamente quem mais precisa compreender o que está sendo dito: quem está começando.
Este artigo é um convite para empresas, RH e equipes de comunicação olharem com carinho para a forma como falam com jovens. Uma linguagem mais clara e acolhedora não é “infantilização”. É respeito.
Por que a linguagem importa tanto para adolescentes e jovens?
Para muitos jovens, principalmente os que vêm de escolas públicas e contextos de vulnerabilidade social, os textos da empresa podem parecer um “outro idioma”. Isso traz alguns efeitos:
- Insegurança (“acho que essa vaga não é para mim”)
- Medo de errar no preenchimento de formulários
- Dúvidas sobre direitos, deveres e combinados
- Sensação de não pertencimento (“eles não falam a minha língua”)
Quando a empresa ajusta a linguagem, ela facilita o acesso à informação e passa uma mensagem importante: “Queremos que você entenda. Queremos que você participe.”
Leia também: Por que investir em jovens aprendizes transforma sua empresa e a sociedade.
Erros comuns na comunicação com jovens
Antes de pensar em soluções, vale observar alguns erros que aparecem com frequência:
- Uso de termos muito técnicos ou jurídicos em vagas e comunicados
- Frases longas, com muitas informações misturadas
- Textos sem exemplos concretos, apenas com conceitos abstratos
- Siglas sem explicação
- Tom duro demais, que soa como bronca
- Linguagem muito formal em canais onde jovens costumam interagir (como redes sociais)
Nada disso é “proibido”, mas, quando aparece em excesso, cria barreiras de compreensão.
Como escrever anúncios de vagas pensando na leitura de jovens
Explique o que a pessoa realmente vai fazer
Em vez de apenas listar “atribuições”, procure responder: na prática, qual vai ser o papel desse jovem?
Por exemplo, em vez de:
- “Atuar no suporte administrativo da área”
Prefira algo como:
- “Ajudar na organização de documentos, lançamento de informações em sistema e atendimento interno à equipe.”
Use títulos simples e diretos
Evite exagerar em inglês ou criar nomes que não dizem muita coisa.
Exemplo:
- Em vez de “Jovem talento para área de customer success B2B”, usar “Vaga para jovem aprendiz na área de atendimento a empresas”.
Deixe claros os requisitos, sem exagerar
Se a vaga é para jovem aprendiz, é esperado que a pessoa esteja começando. Não faz sentido exigir:
- “Experiência anterior na função”
- “Domínio avançado de pacote Office”
Melhor focar em pontos como:
- Estar estudando ou ter concluído o ensino médio
- Ter disponibilidade de horário
- Ter vontade de aprender e responsabilidade com horários
Diga o que a empresa oferece de forma objetiva
Além do salário e benefícios, vale mencionar:
- Se haverá acompanhamento de um gestor ou mentoria
- Se a empresa incentiva a continuidade dos estudos
- Se existem chances de crescimento futuramente (sem prometer o que não pode garantir)
Comunicados internos: como garantir que jovens entendam o recado
Depois que o jovem entra na empresa, os comunicados internos passam a fazer parte da rotina: avisos sobre horários, normas, campanhas, treinamentos.
Para aumentar a compreensão, algumas orientações ajudam:
Vá direto ao ponto
Comece dizendo do que se trata:
- “Este aviso é sobre o horário de entrada e saída”
- “Este comunicado explica como será o treinamento da próxima semana”
Use subtítulos e listas
Em vez de blocos de texto enormes, use tópicos:
- Quem é o público deste aviso
- O que vai mudar
- A partir de quando
- O que se espera das pessoas
Evite excesso de siglas e jargões
Se precisar usar siglas, explique pelo menos na primeira vez que aparecerem:
- “PCD (pessoa com deficiência)”
- “RH (recursos humanos)”
Jargões como “stakeholders”, “compliance”, “job rotation” podem ser traduzidos ou, pelo menos, contextualizados.
Revise o tom do texto
É possível ser firme sem ser agressivo. Em vez de:
- “Fica terminantemente proibido…”
Experimente:
- “A partir de agora, não será mais permitido…”
O conteúdo é o mesmo, mas o tom é menos hostil.
Equilíbrio: clareza sem infantilização
Falar de forma clara não é falar “como se o jovem fosse criança”. É possível:
- Evitar diminutivos desnecessários
- Manter o respeito e a seriedade
- Não usar gírias em excesso só para “parecer jovem”
O objetivo é que a pessoa entenda, não que o texto se pareça com uma conversa de aplicativo de mensagem.
Envolvendo jovens na construção da linguagem
Uma boa prática é perguntar aos próprios jovens:
- “Esse texto está claro?”
- “O que você mudaria para ficar mais fácil de entender?”
- “Tem alguma palavra que você não usaria?”
É possível, por exemplo:
- Testar versões diferentes de uma vaga com jovens do Instituto Formar
- Pedir que aprendizes e estagiários leiam um comunicado antes de ele ser enviado para toda a empresa
- Convidar um grupo de jovens para sugerir melhorias nos formulários e materiais de integração
Quando o jovem participa da construção, as chances de a mensagem chegar da forma certa aumentam muito.
Canais também fazem parte da linguagem
Além das palavras, importa onde e como a mensagem chega:
- Vagas para jovens podem ter bom alcance em redes sociais, não só em sites de currículo
- Comunicados urgentes podem ser reforçados em mais de um canal (e-mail, mural, aplicativo, reuniões)
- Avisos importantes podem ser retomados em conversa, não apenas por escrito
Escolher bem o canal é uma forma de dizer: “Essa informação é importante para você. Quero que você receba.”
O papel do Instituto Formar nesse processo
O Instituto Formar pode ajudar empresas a ajustar a forma como se comunicam com jovens, por exemplo:
- Dando retorno sobre a clareza de anúncios de vagas e materiais de integração
- Compartilhando percepções dos próprios jovens sobre textos e formulários
- Apoiando na produção de conteúdos que dialoguem melhor com a realidade de adolescentes e jovens
Essa parceria ajuda a alinhar intenção e prática: empresas que querem ser abertas para jovens precisam também falar de um jeito que eles consigam acessar.
Quando a linguagem aproxima, a inclusão acontece de verdade
Uma empresa que cuida da linguagem abre portas para que mais jovens possam se ver ali dentro:
- Entendem melhor as vagas
- Conseguem se candidatar com mais segurança
- Compreendem regras, direitos e deveres
- Sentem que foram considerados na forma como a comunicação foi pensada
Não se trata de “simplificar demais”, mas de lembrar que a comunicação é um ato de cuidado.
O Instituto Formar acredita que falar com jovens com respeito, clareza e acolhimento é parte essencial de qualquer programa de aprendizagem e estágio que queira, de fato, transformar vidas.
Quer melhorar a forma como sua empresa se comunica com jovens?
O Instituto Formar apoia empresas na construção de programas de aprendizagem e estágio que começam pelo básico: uma comunicação clara, humanizada e alinhada à realidade dos jovens.
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